Na sessão desta terça-feira, dia 27, os parlamentares avaliaram suas impressões a respeito da Conferência Regional de Mobilização para o 8º Fórum Mundial da Água e o II Encontro Estadual de Comitês de Bacias Hidrográficas, que ocorre até hoje no Palácio Araguaia.

Da tribuna, o deputado Paulo Mourão (PT) elogiou a iniciativa, mas, com exceção de R$ 1,5 milhão obtido via emenda de sua autoria ao orçamento do Estado, criticou a falta de recursos para ações ambientais.

Depois de convidar os demais deputados ao Fórum Mundial da Água, em Brasília, Mourão tratou do que chamou de “falta de compreensão” do governo estadual. O deputado disse saber que grupos de interesse preparam “nos porões do Palácio” a liberação para a construção de mais uma usina hidrelétrica, desta vez no rio Sono.

“E o Governo parece aceitar essa ideia tresloucada”, disse Mourão. Contrário também ao projeto de transposição do rio Tocantins que tramita no Congresso Nacional, o deputado sugeriu a realização de audiências públicas para reunir autoridades federais e estaduais a fim de tratar de ambas as questões.

Os demais parlamentares apoiaram as propostas de Mourão. O deputado Zé Roberto (PT) afirmou que a construção de usinas obriga as populações indígenas e ribeirinhas a mudarem seu modo de vida, e também criticou a monocultura da soja.

De acordo com o deputado, moradores e animais estariam expostos à intoxicação no município de Talismã, região cercada de plantações, e as aulas teriam que ser suspensas durante o período de lançamento de agrotóxicos.

O deputado José Bonifácio (PR) citou o exemplo do governo federal, que inclui placas de energia solar nas casas populares financiadas por programas sociais, como uma forma de disseminar novas matrizes energéticas. “A gente deve acompanhar o progresso do mundo, e o futuro não é das usinas hidrelétricas”, comentou.

Já o parlamentar Ricardo Ayres (PSB) lembrou que o município de Palmas criou um programa de incentivo a novas fontes de energia por meio de isenção no IPTU que, segundo ele, pode chegar a 80%. Ele sugeriu que o Estado faça o mesmo em relação ao ICMS e anunciou que pretende apresentar projeto nesse sentido em breve. (Glauber Barros)