O deputado Paulo Mourão (PT) repercutiu na tribuna da Assembleia Legislativa nesta quinta-feira, dia 5, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou habeas corpus preventivo ao ex-presidente Lula.

Ao chamar o processo de “teatro”, o parlamentar disse que o objetivo era atingir Lula, “o presidente das massas, do apaziguamento e do desenvolvimento social e econômico”, em suas palavras. “Lula deixou o Brasil com pleno emprego e agora é injustiçado, mesmo que para isso se descumpra a Constituição Federal”, ressaltou Mourão.

Para o deputado, parte da grande mídia e da elite, a quem chamou de “elite do atraso”, vem afastando os jovens da política, com uma estratégia para que os poderosos continuem mandando em prejuízo dos menos favorecidos. Ao mesmo tempo em que culpou os sistemas financeiro e midiático pela cassação da ex-presidente Dilma Rousseff.

Mourão previu ainda a possibilidade de cancelamento das eleições de outubro. Segundo ele, essa sinalização é percebida pelas diversas manifestações de membros do Exército Brasileiro e pela intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro em comum acordo com o governo federal.

“Estamos passando por uma quadra (ocasião) das mais difíceis no país, com o impeachment de Dilma e a arquitetura para prender Lula, colocando-o inelegível, além da possibilidade de não haver eleições neste ano”, disse Mourão.

Na mesma linha, o também petista Zé Roberto chamou o processo de condenação de Lula de “farsa”. Conforme disse, se o ex-presidente não fosse candidato com grandes chances de ganhar as eleições, esse processo não estaria sendo feito.

Ele afirmou que o juiz Sergio Moro está há mais de dez anos com o processo do Banestado (que envolve políticos do PSDB), e não leva o caso adiante. Alegou também que há anos o ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), foi condenado na segunda instância e nunca foi preso.

“Lula será preso político em seu próprio país. O PT não deixará de lutar por sua candidatura e vai às últimas consequências com esse objetivo”, garantiu Zé Roberto. José Bonifácio (PR), por sua vez, teceu críticas à decisão do Supremo, assegurando que o país está sem freios e que a Constituição foi desrespeitada no episódio de ontem. (Elpídio Lopes)